Até meus 14 anos eu nunca tive problema com meu corpo.
Sempre fui gorda, e até essa idade isso não tinha problema nenhum, até um dia
eu ser humilhada e ter meu corpo usado como arma contra mim.
Até os 11 anos eu não tinha problema com meu cabelo até
primos por parte de mãe e alguns conhecidos começarem a colocarem apelidos por
causa do meu cabelo crespo e volumoso.
Até os 12 anos eu não tinha problema com meus seios, até um
colega passar a mão neles e eu reagir dando-lhe um soco e ter parado na direção
da escola por causa disso: eu era errada por ter agredido, ele era vítima por
ter apanhado.
Até os 13 anos eu não tinha problema nenhum com minha
sexualidade até ter ela questionada porque eu não “pegava ninguém”
Eu nunca tive problema nenhum, até todos arranjarem eles em
mim.
E isso foi como uma arma, apontada.
Todos os dias após esses ataques eu me questionei. Eu sofri
e amargurei não estar dentro dos padrões, não ser como as pessoas esperavam.
Até que tudo em volta ruiu. Aos 14 anos comecei meu processo
de autodestruição e cheguei ao fundo do poço aos 23.
Jovem, empregada, independente financeiramente, depressiva,
ansiosa, tomando 6 tipos de remédios diferentes apenas para sobreviver.
Nove anos de tortura, medo, sofrimento e magoa.
Nove anos de uma batalha que eu nem mesma sabia que estava
lutando.
Nove anos.
Nove anos em que meu corpo virou um caos.

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