Há quanto tempo um sorriso não estampava meu rosto?
Há quanto tempo tudo perdeu a cor, o vazio chegou e ficou?
Há quanto tempos as cores não brilhavam mais?
Quando tudo isso aconteceu eu era uma menina, saindo da
casca. Abrindo-se para o mundo, aí tudo se tornou tão difícil e a casca voltou
a fechar-se.
Era como se tudo tivesse perdido o sentido, e eu estivesse
sendo atirada no vácuo do Universo, orbitando sem rumo.
Era tudo estranho.
Nada parecia realmente ser feliz, ficou a tristeza da
solidão.
Ah, a solidão. Muitas vezes tão odiada, fria, triste, tão
vazio...
Até que ela começou a fazer sentido, e todo o resto também.
Sabe aquela máxima “estar consigo mesmo”?
Foi um mantra estar comigo.
Uma terapia.
Uma busca.
E usei da minha própria companhia para entender tudo a minha
volta. Para compreender a extensão da minha tristeza, para compreender os
versos no vazio.
A solidão foi a única que em anos me fez olhar no espelho e
começar a entender meu próprio coração, e então, devagar, nos próximos três
anos seguintes a solidão me fez enxergar o primeiro faixo de luz na escuridão.
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